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Traduções

Sonetos 8 e 66 de Shakespeare

joana meirim

Porque te é triste a música, ó música de ouvir?

O doce é ameno ao doce, alegre é a alegria.

Porque amas, pois, aquilo que não te rejubila

E, em vez, sentes prazer no que não te dá júbilo?

Se a perfeita união dos sons em harmonia

Ligados, como em núpcias, te ofendem o ouvido,

É porque eles censuram, doces, teu desacordo

Ao teimares em tocar a sós a melodia.

Nota como uma corda à outra se une, doce,

As duas se tangendo, em mútua simetria,

Como o pai e o filho e a feliz mãe, um só,

Todos só num, entoando, em perfeição de som,

    Um canto sem palavras, que, sendo vário, é um,

    E assim te canta a ti: “Tu sozinho és nenhum.”

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Il mio mestiere, Natalia Ginzburg

Nuno Amado

A nossa felicidade ou infelicidade pessoal, a nossa condição terrena, tem uma grande importância para o que escrevemos. Disse antes que, no momento em que alguém escreve, é ​​miraculosamente conduzido a ignorar as circunstâncias presentes da sua própria vida. Claro que é. Mas ser feliz ou infeliz leva-nos a escrever de maneiras diferentes. Quando estamos felizes, a nossa imaginação é mais forte; quando estamos infelizes, é a nossa memória que age de maneira mais viva.

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Didactic Elegy, de Ben Lerner

Nuno Amado

A intenção desenha uma grossa linha negra sobre um campo que seria branco.

A especulação estabelece gradações de escurecimento


onde elas não existem, permitindo à crítica postular o tempo narrativo.


Eu postulo a crítica para me distanciar da intenção, esse impulso despiciendo.

Mas a intenção é necessária se o campo for entendido como uma economia.

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Material Infancia, Josep M. Rodríguez

Nuno Amado

Material infância, tradução de Teresa J. Ferreira

 

 

Suplico-te que entres na tua vida.

Suplico-te que aprendas a dizer eu.

Ezra Pound

 

O mundo é como um olho

                                                de vidro,

nem sequer te engana a sua aparência.

 

Cheguei à vida para dizer eu.

Sou um medo feroz que foge do lobo.

 

(Volta a infância e a sua mitologia.)

 

Gostaria de acreditar

de novo

nos pecados.

 

Imaginar que ainda há salvação.

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Vários, Harryette Mullen

Maria S. Mendes

Elíptico

Parece que não há meio de eles… É que deviam esforçar-se mais por… Deviam ser mais… Quem nos dera que não fossem tão… É que eles nunca… É que eles constantemente… É que às vezes eles… É que de vez em quando eles… No entanto, é óbvio que eles… No geral, têm a tendência para… E as consequências disso é que… Parece que não compreendem que… Se ao menos fizessem um esforço por… Mas é sabido que têm dificuldades com… Há muitos que continuam sem perceber que… Alguns são mais esclarecidos mas pura e simplesmente… É evidente que a perspetiva deles tem sido limitada por… Por outro lado, é claro que se acham no direito de… Naturalmente, não nos podemos esquecer que eles… Nem se pode negar que eles… Sabemos que isto teve um impacto extraordinário na sua… Porém, parece-nos que o modo como se comportam… Infelizmente, até agora a maneira como temos interagido… 

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Fragmentos

Maria S. Mendes

Todas as opções desta tradução procuram responder à dinâmica de diálogo que se estabelece entre os dois poemas: se, por um lado, ambos podem parecer à primeira vista formas do mesmo lugar-comum, a síndrome de António Variações, ou “Estou Além”, sendo o segundo, em que uma mulher casada prefere dormir sozinha, uma reacção ou resposta irreverente ao primeiro, em que uma mulher sozinha preferiria dormir acompanhada, na verdade em Jaghanacapalā não há um lamento, pelo contrário.

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One Art

Maria S. Mendes

Um outra, tradução de Miguel Tamen

 

A outra lousa tem muito ar de mestra

Tantas coisas todas cheias de intenção

Partir a lousa não nos estraga a sesta.

 

Uma lousa por dia aceita a festa

Parte as chaves e ganha a hora em vão

A outra lousa tem muito ar de mestra.

 

Pratica, parte a lousa e fá-lo lesta

A praça o nome e a excursão

Ao norte. É pouca a lousa, e é modesta.

Parti a cigarreira e não me resta

Nenhuma das três casas na prisão

A outra lousa tem muito ar de mestra.

 

Parti duas cidades mera fresta

Do reino, dos dois rios, da contenção

Lamento mas é só coisa modesta.

 

—Mesmo sem ti (a voz sagaz a gesta

Que estimo) é mesma a minha opinião:

A outra lousa tem muito ar de mestra

Parecendo (escreve lá!) coisa modesta.

 

 

 

 

 

“One Art”, Elizabeth Bishop

 

The art of losing isn’t hard to master;

so many things seem filled with the intent

to be lost that their loss is no disaster.

 

Lose something every day. Accept the fluster

of lost door keys, the hour badly spent.

The art of losing isn’t hard to master.

 

Then practice losing farther, losing faster:

places, and names, and where it was you meant

to travel. None of these will bring disaster.

 

I lost my mother’s watch. And look! my last, or

next-to-last, of three loved houses went.

The art of losing isn’t hard to master.

 

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,

some realms I owned, two rivers, a continent.

I miss them, but it wasn’t a disaster.

 

—Even losing you (the joking voice, a gesture

I love) I shan’t have lied.  It’s evident

the art of losing’s not too hard to master

though it may look like (Write it!) like disaster.

 

Elizabeth Bishop, The Complete Poems 1927-1979. NY: Farrar, Straus & Giroux, 2008.

© 1979, 1983 Alice Helen Methfessel


Miguel Tamen é professor no Programa em Teoria da Literatura da Universidade de Lisboa.   O seu último livro (com António M. Feijó) é A universidade como deve ser (2017).

Lion of Philosophy

Maria S. Mendes

「てつがくのライオン」

"Lion of Philosophy" (“Tetsugaku no Lion”), Akihiko Shimizu

 

 

ライオンは「てつがく」が気に入っている。

Lion is fond of "Philosophy".

 

かたつむりが、ライオンというのは獣の王で哲学的な様子をしているものだと教えてくれたからだ。

That's because Snail kindly told him that a lion is King of Beasts who should look philosophical.

 

きょうライオンは「てつがくてき」になろうと思った。

Today Lion thought he would be "philosophical".

 

哲学というのは座り方から工夫した方がよいと思われるので、尾を右にまるめて腹ばいに座り、前肢(まえあし)を重ねてそろえた。

He thought that this philosophy thing would seem better when one contrives a way to sit, so he sat on his belly with his tail curled to the right, and placed his paws on top of each other.

 

首をのばし、右斜め上をむいた。尾のまるめ具合からして、その方がよい。尾が右で顔が左をむいたら、でれりとしてしまう。

He then stretched his neck, and looked up to the right. This is a better way, judging from the way the tail is curled. If the tail goes right and the face goes left, he would end up looking spoony.

 

ライオンが顔をむけた先に、草原が続き、木が一本はえていた。

Beyond where Lion’s face was pointed to, there were miles of fields, with one lone tree standing.

 

ライオンは、その木の梢を見つめた。梢の葉は風に吹かれてゆれた。ライオンのたてがみも、ときどきゆれた。

Lion stared at the branches of the tree. The leaves on the branches swayed in the wind. Lion's mane also swayed from time to time.

 

(だれか来てくれるといいな。「なにしてるの?」と聞いたら「てつがくしてるの」って答えるんだ)

(I wish somebody would come. When they ask me "What are you doing?", I will reply, "I'm doing philosophy".)

 

ライオンは、横目で、だれか来るのを見張りながらじっとしていたがだれもこなかった。

Lion stayed still, watching in the corner of his eye if somebody would come, but nobody came.

 

 日が暮れた。ライオンは肩がこってお腹がすいた。

The dusk had fallen. Lion had stiff shoulders and he became hungry.

 

(てつがくは肩がこるな。お腹がすくと、てつがくはだめだな)

(Philosophy gives me stiff shoulders. When I'm hungry, philosophy is no good.)

 

きょうは「てつがく」はおわりにして、かたつむりのところへ行こうと思った。

He thought he'd finish with "philosophy" for today, and go over to Snail.

 

「やあ、かたつむり。ぼくはきょう、てつがくだった」

"Hi Snail. I was philosophy today."

 

「やあ、ライオン。それはよかった。で、どんなだった?」

"Hi Lion. That's great to hear. And how was it?"

 

 「うん、こんなだった」

"Yeah, it was like this."

 

ライオンは、てつがくをやった時の様子をしてみせた。

Lion showed him how he was when he did philosophy.

 

さっきと同じように首をのばして右斜め上を見ると、そこには夕焼けの空があった。

Just like a few moments ago, he stretched his neck and looked up to the right, and then there was the sunset sky.

 

「ああ、なんていいのだろう。ライオン、あんたの哲学は、とても美しくてとても立派」

"Oh how wonderful it is! Lion, your philosophy is so beautiful and so magnificent!"

 

「そう?・・・とても・・何だって?もういちど云ってくれない?」

"Really? You said what? Could you tell me that again?"

 

「うん、とても美しくて、とても立派」

"Sure, so beautiful and so magnificent!"

 

「そう、ぼくのてつがくは、とても美しくてとても立派なの?ありがとうかたつむり」

"Really? My philosophy is so beautiful and so magnificent? Thank you, Snail."

 

ライオンは肩こりもお腹すきもわすれて、じっとてつがくになっていた。

Lion forgot all about his stiff shoulders and hunger, and in a standstill, he has become philosophy.

 

 

Kudo Naoko, “Lion of Philosophy (Tetsugaku no Lion),” Tetsugaku no Lion. Tokyo: Risosha, 1982.

工藤直子、「てつがくのライオン」、『てつがくのライオン』

 


Akihiko Shimizu ensina Japonês na Universidade de Edinburgo. Há alguns anos, Aki tropeçou num epigrama de três versos de Jonson, achou-o tão misterioso que decidiu tentar perceber de que raio trata o poema. Acabou por escrever uma tese de doutoramento sobre o autor. 

Oração Punk

Maria S. Mendes

"Богородица, Путина прогони", Pussy Riot

 

(Хор)

Богородица, Дево, Путина прогони

Путина прогони, Путина прогони

(конец хора)

 

Черная ряса, золотые погоны

Все прихожане ползут на поклоны

Призрак свободы на небесах

Гей-прайд отправлен в Сибирь в кандалах

Глава КГБ, их главный святой

Ведет протестующих в СИЗО под конвой

Чтобы Святейшего не оскорбить

Женщинам нужно рожать и любить

 

Срань, срань, срань Господня

Срань, срань, срань Господня 

 

(Хор)

Богородица, Дево, стань феминисткой

Стань феминисткой, феминисткой стань

(конец хора)

 

Церковная хвала прогнивших воджей

Крестный ход из черных лимузинов

В школу к тебе собирается проповедник

Иди на урок – принеси ему денег!

Патриарх Гундяй верит в Путина

Лучше бы в Бога, сука, верил

Пояс девы не заменит митингов -

На протестах с нами Приснодева Мария!

 

(Хор)

Богородица, Дево, Путина прогони

Путина прогони, Путина прогони

(конец хора)

 

Oração Punk, tradução Ana Matoso

 

"Virgem, livra-nos de Putin" 

 

(coro)

Virgem Maria, livra-nos de Putin,

livra-nos de Putin, livra-nos de Putin

(fim do coro)

 

Vestes negras, dragonas douradas

Os paroquianos rastejam em reverência

O fantasma da liberdade [foi para] o céu

A parada gay enviada para a Sibéria em grilhões

O líder da KGB [é] o seu santo principal

Conduz os manifestantes para a prisão

Para Sua Santidade não ofender

As mulheres devem parir e amar

 

Merda, merda, merda de Deus

Merda, merda, merda de Deus

 

(coro)

Virgem Maria, Mãe de Deus, torna-te feminista,

torna-te feminista, feminista torna-te

(fim do coro)

 

A igreja reverencia líderes podres,

a procissão da cruz das limusinas pretas

Na escola, vem um pregador

vão para a aula – tragam-lhe dinheiro!

O patriarca Gundiai[1] acredita em Putin

Melhor que acreditasse, sacana, em Deus

O cinturão da virgem não substitui comícios

A Virgem Maria connosco está nos protestos!

 

(coro)

Virgem Maria, livra-nos de Putin,

livra-nos de Putin, livra-nos de Putin

(fim do coro)

 

 

[1] Referência pouco velada ao Patriarca, ao apelido de Kirill Gundaev. 

Панк-молебен

 


Ana Matoso dedica-se agora ao ensino e à tradução. Os primeiros poemas que a marcaram foram traduções dos anos 50 dos poetas românticos ingleses, franceses e alemães. A sua divisa tornou-se, impenitentemente, “quanto mais poético mais verdadeiro”. Passou ao mesmo tempo por uma febre de Sophia de Mello Breyner Andresen, seguida da de Fernando Pessoa e Rilke. Ficou assombrada pelo que Philip Larkin designou de “a Ford-car view of literature”, e desconfia por princípio de manuais de instrução literária. Abandonou o culto da poesia, e começou a interessar-se por outras coisas da vida. Gostava muito de ler um novo livro de António Franco Alexandre.

Canções dos não amados

Maria S. Mendes

Canções dos não amados, tradução Rui Arantes

 

Canções dos não amados.

Canções dos que foram atirados fora.

Dos que foram enterrados sem nome.

Dos que foram aprisionados na noite.

Canções dos que foram excluídos das listas.

Canções dos que foram encarcerados no gelo.

Canções dos que já não são necessários

Ouve-se, não pára.

 

Nós temos uma boa escola -

De receber lume de cobras em chamas;

De arrancar o nosso coração fora,

Para nos tornarmos ainda mais maldosos.

Manter a cabeça debaixo de água,

Não deixar respirar;

E quebrar a lâmina depois do golpe

Porque Deus está connosco.

 

Pisa o copo,

Se ele foi bebido;

Com a corda ao pescoço,

Com as tuas coisas vai-te embora.

Senhor, confidencia-me

Os segredos da existência;

Olhe-me nos olhos,

e diga que esta é a Sua vontade.

 

Pode esperar-se pelo sol muito tempo,

Olhando cegamente para o zénite;

Nós tínhamos um sino de cristal dentro de nós.

Ele foi pisado, e não se ouvirá novamente.

Esta música é mais antiga que o mundo;

Ela é ridícula e risível;

Mas eu vou dançar com ela.

Mesmo que ela não seja audível.

 

Alma carinhosa –

Vestido de ferro.

Sangue na areia –

Todas as pessoas são irmãs.

Eu já não preciso dos teus

segredos da existência.

Olha-me apenas nos olhos

e diga que esta é a Sua vontade.

Песни нелюбимых

 

Песни нелюбимых.

Песни выброшенных прочь.

Похороненных без имени.

Замурованных в ночь.

Песни вычеркнутых из списков.

Песни саженых на лёд.

Песня больше не нужных

Звучит, не перестаёт.

 

У нас хорошая школа -

Прикуривать от горящих змей;

Вырвать самому себе сердце,

Чтобы стать ещё злей.

Держать голову под водой,

Не давать делать вдох;

И обламывать лезвие после удара

Потому что с нами Бог.

 

Наступи на стакан,

Если он выпит;

Голову в петлю,

И с вещами на выход.

Господи, открой мне

Тайны бытия;

Посмотри мне в глаза

И скажи, что это воля Твоя.

 

Можно долго ждать солнца,

Глядя слепыми глазами в зенит;

У нас внутри был хрустальный колокольчик.

На него наступили, он больше не звенит.

Эта музыка старее, чем мир;

Она нелепа и смешна;

Но я буду танцевать под неё,

Даже если она не слышна.

 

Ласковой душе -

Железное платье.

Кровью на песке -

Все люди братья.

Мне больше не нужны Твои

Тайны бытия.

Просто посмотри мне в глаза

И скажи, что это воля Твоя.

 

Boris Grebenshchikov, Песни нелюбимых, 2016.


Rui Arantes é jurista e advogado. Não chegou ainda ao ponto de ter abandonado os romances em prol da poesia.