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Poemas de antes

Musgo

joana meirim

Gosto particularmente de “Musgo”, e creio ter decorado a estrofe final porque a palavra isto sempre me fascinou. Pessoa, Carlos de Oliveira, Manuel António Pina deram-lhe amplitudes muito particulares, mas o próprio uso comum de isto já me parece extraordinário. Que a palavra que serve para designar o que está perto de mim possa ser simultaneamente tão vazia e tão incomensuravelmente cheia de todo o possível diz muito da nossa condição de existência (e a que será que se destina? – perguntava justamente Caetano Veloso).

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Time Out

Nuno Amado

Sempre que passo algum tempo nos poemas completos de Robert Frost acabo por parar neste, e por pensar que não devia ter esquecido não propriamente o poema, e nem sequer aquele extraordinário verso feito de nomes de plantas, mas o efeito da sua leitura. É certo que a sua situação de partida está próxima daquilo que imediatamente recordamos de outros poemas de Frost, e que podemos reconhecer como eixo desta sobreposição límpida entre poesia e especulação: uma paragem no meio do caminho, situação tão clara em “The Road not Taken” (“long I stood”) ou em “Stopping by the Woods on a Snowy Evening”, por exemplo – a interrupção do percurso que faz parecer natural a reflexão como curso dos versos.

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Sísifo

Nuno Amado

Este poema não devia ter sido esquecido, porque ajuda quem o leia a perceber que não há nada de errado em começar de novo, pelo contrário, e também porque sugere que a loucura talvez seja a forma mais sã de sermos humanos.

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Pequeno áster

joana meirim

O talho não fica bem à poesia – esta assunção é tão evidente que nos esquecemos de a questionar (o que nos coloca imediatamente fora da poesia, sendo o questionamento das evidências gesto poético por excelência), excluindo dos nossos horizontes de versos não apenas o cheiro do sangue e o martírio do bife, mas todos aqueles rituais complicados de manipulação alimentar e técnica da morte que fazem a fortuna dos policiais narrativos e televisivos, inexoravelmente seriais.

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Le ciel est par-dessus le toit

joana meirim

O sortilégio deste poema vem do seu tom meditativo e confessional, do modo como o “eu” se interpela (“ô toi que voilà”) e se recrimina, do poder sugestivo das imagens (o céu, a árvore, o pássaro) e dos sons (o sino, o rumor da cidade), que resumem a vida “simple et tranquille” fora das grades; e também da sua brevidade formal, da harmonia do ritmo e das sonoridades (repare-se no verso “berce sa palme”, cuja forma verbal remete nostalgicamente para o mundo da infância), da alternância do metro (versos de 8 e 4 sílabas) e do efeito de melopeia que resulta da repetição das palavras finais nas rimas (um procedimento que Verlaine usara já em “Il pleure dans mon coeur”).

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Narciso

Maria S. Mendes

Na última estrofe, diz-nos o poeta que espera a noite em que possa finalmente unir-se à imagem que espelha no fundo do poço. Termina o poema com uma exclamação, sinal de esperança, mas bem irónica, pois bem sabe o poeta que a espera será eterna.  

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English I

Maria S. Mendes

Gosto deste poema porque reflecte sobre as complexidades e as implicações ideológicas envolvidas no ensino da língua ao Outro. Gosto deste poema porque começa com um sofrimento coletivo, “nós”, mas nóstemos dificuldade em identificar-nos com aquele discurso particular de sofrimento. Gosto deste poema porque usa imagens físicas, como a descrição sensível daa tarefa de avaliação do professor; sou professora e gosto do tráfego das línguas: “the checks I make for right answers,/ the rosy golf-clubs on the page.” ["os vistos que dou às respostas certas, / tacos de golfe cor de rosa no papel.”]

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Cantiga, partindo-se

Maria S. Mendes

Mas a língua portuguesa – “nunca tam tristes vistes/outros nenhuns por ninguém” – essa, resplandece e dá ao poema a sua belíssima singularidade, criando ao mesmo tempo um efeito de simplicidade musical que faz com que toda a gente goste deste poema quando o lê (penso eu).

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After the Rain

Sara Carvalho

No Festival de Poesia de Palm Beach há sempre um painel sobre Poemas que Encantam, no qual cada poeta da faculdade explica por que é o poema escolhido um dos seus favoritos. Carl Philips discutiu “To the Harbormaster”, de Frank O’Hara, e Rodney Jones escolheu “Race”, de Elizabeth Alexander. Estas escolhas tinham especial importância para mim, porque tinha participado nos seus workshops. Terrance Hayes discutiu “My Father’s Love Letters”, de Yusef Kumunyakaa, à luz de “Those Winter Sundays”, de Robert Hayden, e revelou-me a sua filiação literária.

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Poema do Gato

Maria S. Mendes

Ora, ler este poema não custa nada, porque o tom é desde logo coloquial e invocativo, implicando o leitor nesse misto de pergunta retórica e pedido de ajuda que, se não é vulgar, é totalmente compreensível ("Quem há-de abrir a porta ao gato / quando eu morrer?"). A linguagem é simples, directa, de pendor oral, fazendo lembrar as conversas entre donos de animais sobre as respectivas idiossincrasias ("Sempre que pode / foge prá rua, / cheira o passeio / e volta para trás"…), embora se comece a perceber, a certa altura, que o fulcro do poema talvez não seja a preocupação do dono com a felicidade do gato.

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Ó montes erguidos

Maria S. Mendes

Este poema não devia ter sido esquecido porque não é apenas sobre o amor entre duas pessoas, ou sobre amor não correspondido, ou sobre amor carnal ou neo-platónico – é também, ou até principalmente, acerca do amor e a ânsia que se podem sentir sobre uma “terra”.

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Pastelaria

Maria S. Mendes

Este poema não devia ter sido esquecido porque. Mas afinal o que importa não é o esquecimento. Afinal o esquecimento é sem porquê. O que importa é que a rosa é sem porquê. Assim como assim, a rosa não foi esquecida… Afinal pela palavra afinal começa a alegoria, perdão, a pastelaria, e lá fora a alegoria ri-se de tudo. A pastelaria é sem porquê: alegoria, fantasia, poesia. Três teorias: a da produção, a da inspiração, a da câmara escura. Convém não esquecer que a câmara escura também é sem porquê. Não é verdade, menina?

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