Contact Us

Use the form on the right to contact us.

You can edit the text in this area, and change where the contact form on the right submits to, by entering edit mode using the modes on the bottom right. 

         

123 Street Avenue, City Town, 99999

(123) 555-6789

email@address.com

 

You can set your address, phone number, email and site description in the settings tab.
Link to read me page with more information.

Poemas de agora

Rain on Tin

Maria S. Mendes

 “Rain on Tin” é o último poema de Salvation Blues, de Rodney Jones. Ao lê-lo, começamos por deparar-nos com um título provocador: porque tornaria a felicidade prometida pela salvação alguém melancólico [blue]? O título lembra-me o destino das estrelas brilhantes das comédias shakespearianas (como Beatrice, Rosalind e Portia) que têm de se submeter à ideia de que, apesar dos esforços que dedicaram, com esperteza e charme, à educação dos seus futuros maridos, ficarão condenadas à redenção e ao final feliz que a comédia promete. 

Read More

Ser o homem-aranha não me tenta

Maria S. Mendes

Quer dizer, o poema que começa com o ser acaba com o sexo, o que talvez o afaste em definitivo de qualquer leitura infantil. Mesmo que se dê o caso de este ser um discurso de sedução num poema de amor de um aranhiço pelo homem-aranha, o das “ventosas e outros artifícios”, o que reverteria a consagrada narrativa do super-herói numa aracno­filia de dois sentidos. Será talvez, em última instância, a única leitura que pode explicar o que faz o almoço no meio do poema, e sobretudo essa entrada fria a rimar em ausência com a mais célebre das dobradas.

Read More

Siringe - III

joana meirim

Este poema de Rosa Maria Martelo é a parte III de “Siringe” – um livro dividido em cinco partes, sendo o Epílogo da obra homónima que foi editada pela Averno em 2017 e que inclui dois textos publicados anteriormente: A Porta de Duchamp, de 2009, e Matéria, de 2014 – e eu li-o como um poema que me fala sobre poemas. Esta é a razão principal por que eu gosto deste poema.

Read More

ZUHAITZA 

Maria S. Mendes

Gosto deste poema porque reconheço nele a palavra “poema” na minha língua, ainda que o poema esteja escrito em eusquera. Pensando melhor, reconheço nele a palavra “poema” em eusquera, ainda que seja igual na minha língua. Quando o encontrei, primeiro, foi a estranheza de um conjunto de letras ordenadas sem ligação a nenhuma língua por mim conhecida, embora se percebesse um título e uma sequência de versos. Que língua é esta? Depois, foi a descoberta de “poema” no meio daquelas letras, como uma porta de entrada para um lugar incompreensível.

Read More

Reading Scheme

Maria S. Mendes

“Here is Mummy. She has baked a bun. / Here is the milkman. He has come to call. /Here is Peter. Here is Jane. They like fun”. Neste ponto, a mãe manda embora as duas crianças – “Go Peter! Go Jane!” – para deixar entrar o leiteiro, surgindo assim a possibilidade de o verso “She has baked a bun” não se referir a um bolo, mas sim ao resultado da relação da mãe com o leiteiro. “He has come to call” e “Come, milkman, come!”, têm um sentido sexual explícito, que se torna ainda mais claro, quer pela exclamação, quer pela repetição do verbo. Neste ponto, ficamos a saber que, naturalmente, o leiteiro gosta da mãe e que a mãe gosta de todos eles, o que pode indicar que tem estima pelas duas crianças e pelo leiteiro, mas também que o leiteiro não é, ou poderá não ter sido, o único homem com quem a mãe se relacionou.

Read More

The first to die was PROTESILAUS

Maria S. Mendes

Gosto deste poema porque é escrito através de Homero, em vez de ser uma tradução. Como em todo o livro de Alice Oswald, estamos aqui perante um fragmento da Ilíada e da vida de um soldado, precocemente interrompida, tal como a casa semiconstruída e as terras que, deixadas para trás, são reduzidas aqui a uma mera sequência de nomes espaçados entre si (“Pyrasus     Iton Pteleus Antron”).

Read More

A Story of Stolen Salamis

Maria S. Mendes

Em suma, gosto desta pequena história porque me fez pensar sobre como, de um certo modo, as palavras estão para poemas como a carne está para salsichas. As palavras são importantes porque são a matéria-prima que mais usamos para comunicar e pensar: são actividades relacionais fulcrais. Logo, um cuidado com as palavras denota um cuidado com actividades relacionais deste género, tanto na nossa relação connosco próprios, como na que mantemos com os outros.

Read More

Cães Que Brincam

Maria S. Mendes

Gosto deste poema porque se esforça por não ser uma alegoria simplista, pois, apesar de evidenciar a riqueza do potencial metafórico existente na imagem de dois cães à luta por um trapo velho, tenta que estes cães, que podem ser símbolos hipotéticos de tudo e mais alguma coisa, nunca deixem de ser dois cães a brigar por um trapo velho. A virtude maior do poema reside no ímpeto autocorrectivo despudorado em que se baseia essa tentativa esforçada de evitar que o poema se transforme por completo numa especulação melancólica, não obstante o final do poema parecer indicar isso mesmo. Trata-se de um daqueles casos em que a luta interessa mais pelo seu valor enquanto exercício do que pelos seus resultados finais.

Read More

Soneto não me mintas, não me inventes.

Maria S. Mendes

Gosto deste poema porque tem catorze versos que consigo parafrasear, o que nem sempre me acontece com outros poemas. O poeta queixa-se de que o soneto, a forma poética escolhida em , o deita a perder. O poema que compõe é um virtuoso exemplo de uma diatribe: o poeta lamenta o facto de o soneto ser incapaz de lhe ser fiel, incapaz de dizer as verdades ou aquilo que sente. Ao invés de ser “claro, frontal”, o soneto é “charlatão”, torce a verdade, mente e inventa, é impostor, “mau imitador” e “mau espelho”.

Read More