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The New Higher

Poemas de agora

The New Higher

Maria S. Mendes

 

The New Higher

 

You meant more than life to me. I lived through

you not knowing, not knowing I was living.

I learned that you called for me. I came to where

you were living, up a stair. There was no one there.

No one to appreciate me. The legality of it

upset a chair. Many times to celebrate

we were called together and where

we had been there was nothing there,

nothing that is anywhere. We passed obliquely,

leaving no stare. When the sun was done muttering,

in an optimistic way, it was time to leave that there.

Blithely passing in and out of where, blushing shyly

at the tag on the overcoat near the window where

the outside crept away, I put aside the there and now.

Now it was time to stumble anew,

blacking out when time came in the window.

There was not much of it left.

I laughed and put my hands shyly

across your eyes. Can you see now?

Yes I can see I am only in the where

where the blossoming stream takes off, under your window.

Go presently you said. Go from my window.

I am in love with your window I cannot undermine

it, I said.

 

John Ashbery, “The New Higher”, Where Shall I Wander. Manchester: Carcanet, 2005.

 

Gosto deste poema pela sua ambiguidade. “The New Higher”, de John Ashbery, começa por sugerir uma relação cheia de vida (“life”, “lived”, “living”) entre um “You” e um “I” igualmente indefinidos, que se encontram nas extremidades da primeira frase do primeiro verso (“You meant more than life to me”).[1] A separação entre os dois é extremada pela forte cesura do primeira verso, pela tensão criada pelo encavalgamento, assim como pela cesura mais ténue do segundo verso. Estes efeitos contribuem, por sua vez, para a criação de, pelo menos, três cenários possíveis: um “I” que resistiu a alguma coisa, sugerindo dificuldade (“I lived through”); um “I” que viveu através de um ‘you’, que não o sabia (“I lived through/ you not knowing”); um “I” que viveu através de um ‘you’, sendo que um deles não sabia que o “I” estava a viver no decorrer desse processo (“I lived through/ you not knowing, not knowing I was living”). A possível ênfase métrica na primeira sílaba de ‘knowing’ contribui para este efeito desagregador, ao comprometer o ‘not’ que o precede. A leitura está assim a ser constantemente interrompida desde o início, do ponto de vista semântico e sintático, dando tempo para as pistas em stacatto serem absorvidas, uma a uma, antes de o verso ter tempo para pedir a sua própria continuação.

A dinâmica entre o “I” e o “You” dá lugar a um “we” indefinido, mas que agora aparece “together". De facto, o referente dos pronomes pessoais apenas surge no décimo verso da primeira estrofe (“When the sun was done muttering”). O leitor tem de, retrospectivamente, recuperar a indefinição que foi sendo sucessivamente deixada para trás: “passed obliquely” refere-se muito possivelmente aos raios de sol, sendo o par mais óbvio destes a janela que se encontrava “up a stair”. É de notar como “stair” se liga à descrição espacial que tinha sido criada pela rima interna com “chair” e “there”, criando assim o cenário de uma cena de voyeurismo. Não está ninguém (´There is no one’) no quarto de cima, mas tanto o leitor como os raios de sol personificados conseguem ver tudo. O uso de “muttering” contribui para a sugestão de secretismo, também presente na quietude de “leaving no stare”. Até os raios, livres de entrar e sair, coram “shyly at the tag of the overcoat near the window”, noutra intimação de ver demasiado. “Can you see now?”.

[1] itálicos meus. 

Inês Rosa


Inês Rosa é doutoranda no Programa em Teoria da Literatura (FLUL). O seu interesse por poesia começou cedo, com os sonetos de Shakespeare (e a interpretação que Helen Vendler fez deles), mas foi em Cambridge que, entre bolos e chá, começou a falar e a escrever sobre poemas em geral, e sobre Wordsworth em particular. A forma soneto, Smith e Philip Larkin são outros dos seus interesses.